Rita, vi!

 

Acabei de assistir, Rita Lee – Mania de Você. Documentário lindo!

Sou fã dela desde Os Mutantes. Assisti , em 1967, o III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, na apresentação da canção "Domingo no Parque", em que a banda acompanhou Gilberto Gil.

A partir de então, acompanhei a carreira da Rita. Assisti a inúmeros shows, inclusive o primeiro logo após a sua prisão. Não lembro onde foi o show, mas ela surge no palco vestida de roupa listrada, típica de presidiaria de desenho animado, com uma bola de algum material simulando ser de ferro. Maravilhosa! O público delirou.

Quando ela lançou a turnê Refestança, em parceria com o Gilberto Gil, fui para assistir ao show, que seria no estádio da Portuguesa,no bairro do Canindé, em São Paulo, mas perdi.

Tenho duas passagens hilárias nessas idas a shows dela. Uma, foi no Juventus. Seriam dois horários e o Hermínio (o Mi) e eu chegamos para o segundo horário. Não tínhamos ingresso e nem dinheiro. Ficamos rondando e tentando encontrar um jeito de conseguir entrar. Fiz uma sugestão de, quando o pessoal estivesse saindo, nós entrássemos de costas, tipo vemos em desenho animado ou filmes de comédia. Deu certo, até a página um. Os seguranças perceberam a manobra e correram atrás de nós, mas nesse instante, abriram as portas para o segundo horário e o pessoal, literalmente, invadiu e acabamos sendo acobertados pela muvuca.

A segunda foi no Refestança. Chegamos bem antes do horário de início e ficamos perto de onde o Mi estacionou o Jeep. Nós iríamos fumar um baseado, mas só havia restos que foram juntados em uma caixa de fósforos, que foi transformada em um cachimbo. Era pouca coisa pra muitos doidos e preferi não concorrer. Juntamos as merrecas que cada um tinha e conseguimos comprar meia garrafa de Fogo Paulista, então, ficamos divididos em dois grupos: o do baseado e o do Fogo Paulista. Embora, estivéssemos próximos, havia uma certa distância entre um grupo e o outro. Vi que dentre a turma que estava andando em direção ao estádio, vinham uns três caras que destoavam. Procurei avisar a todos, mas não deu tempo. Os caras se aproximaram rapidamente. Sacaram de armas e apontaram para o grupo do baseado. O Gallo até jogou o caximbo por cima de um muro próximo, mas não adiantou. Foram todos colocados em um fusca e sumiram. Quem não foi levado, debandou. Perdemos o show!

Nunca a conheci pessoalmente, porém, sempre a admirei muito como artista.
O documentário abre uma pequena fresta para a Rita Lee também como pessoa: filha, mulher, esposa, mãe. Sensacional essa oportunidade de ter uma visão para além da artista.
Foi um privilégio ser um quase contemporâneo da maravilhosa e iluminada Rita Lee e assistir muitas de suas doações artísticas.

Parabéns, e obrigado, ao Roberto de Carvalho e aos três filhos pelo lindo documentário.

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